Essa tal de perfeição… será que ela existe?

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Adam Smith, filósofo britânico do século XVIII e pai da economia moderna, disse que “se você abordar uma situação como uma questão de vida ou morte, morrerá muitas vezes”. Esta frase é perfeita para começar um texto sobre um tema tão polêmico como o dessa semana, nada mais nada menos do que per-fei-ção.

As pessoas levam um certo tempo para entender que ser perfeccionista não está com nada e é praticamente impossível alcançar a perfeição. Só que esse aprendizado só chega com a vivência, quando percebemos que podemos aprender com os próprios erros ou equívocos e que todos nós vamos cometer muitos erros ao longo da vida e quem não quiser aceitar isso vai se desgastar desnecessariamente, podendo se frustrar tanto no âmbito pessoal quanto profissional.

Não alcançar a perfeição não significa que o mundo vai acabar e também não requer que a gente fique se julgando eternamente se não atingimos 100% de uma ação a ser implementada, porque muitas vezes, na nossa própria imperfeição reside a perfeição. Todos nós podemos ser perfeitamente imperfeitos e sempre digo que se estivermos com dificuldade para resolver um problema, é melhor o solucionarmos mais ou menos, na casa dos 50 a 70%, na prática, na real, do que ficar tentando resolver apenas mentalmente, como gostaríamos que fosse, com todos os detalhes perfeitos e perder o timing, deixar a história passar sem fazer parte dela.

Eu comecei a perceber isso quando fui estudar nos Estados Unidos, por volta dos meus 18 anos, quando saí da casa dos meus pais, onde tudo funcionava dentro da maior precisão, e cá entre nós, quando a gente tem quem resolva tudo para nós, a tendência é que nos tornemos preguiçosos, pois sabemos que teremos quem resolva ou faça tudo para a gente.

Já quando temos que cuidar de tudo sozinhos, ainda mais fora do nosso país, tendo que se comunicar em outro idioma, apresentar resultados nos estudos, cuidar da própria alimentação, da organização do quarto, das finanças, aí a coisa muda completamente de figura.

Não ter o apoio dos meus pais, num primeiro momento, foi bem difícil, diria até meio apavorante, especialmente porque tive alguns problemas sérios como ficar sem dinheiro e ter que me virar, aprender a trabalhar, ter chefe e respeitá-lo, dosar os gastos, comprar a minha comida etc. Eu precisei me esforçar muito mais do que quando morava no Brasil e deixar de ser tão perfeccionista, ou as coisas não iriam caminhar a meu favor.

Claro que eu tinha como me amparar, poderia contar com ajuda de alguns familiares (primos) que moravam nos Estados Unidos e também com os amigos dos meus pais, mas eu sempre gostei de me virar sozinho e nunca fui adepto de depender dos outros e sim resolver os meus problemas do meu jeito. Então eu percebi que não precisaria fazer as coisas perfeitas, mas sim aquilo que fosse possível fazer, e que mesmo dessa forma, a vida seguiria resoluta e os resultados positivos apareceriam sem grandes sofrimentos, se aprendesse a negociar dentro das possibilidades que estavam ao meu alcance.

Para saber viver é preciso saber negociar porque a vida é uma grande negociação!

Por exemplo, muitas vezes quando ficamos aborrecidos porque não estamos executando um trabalho 100% perfeito, precisamos ter em mente que mesmo que estejamos fazendo apenas 50%, naquele momento pode ser o máximo que poderíamos fazer e vai dar certo do mesmo jeito, se não deixarmos que essa frustração fique martelando na nossa cabeça e nos impeça de agir na prática, porque aí não entregaremos nada e isso sim, pode ser um fator determinante para o fracasso de nossos objetivos.

Como diz o ditado popular o maior inimigo do ótimo é o bom, e o maior inimigo do bom é o regular e esse dito ilustra bem quando nos sentimos tentados a procrastinar aquilo que precisa ser feito só porque ainda não conseguimos atingir o nível de performance que estabelecemos para nós mesmos.

No decorrer da minha vida, fui entendendo cada vez melhor que fazer bem feito não significa fazer perfeito! A perfeição pode funcionar muito bem no campo das ideias e ideias sem implantação na vida real não passa de utopia. Então o ideal é que a perfeição seja apenas uma motivação para nos tornarmos melhores a cada dia, lembrando que não dependerá apenas de nós, mas de todos os envolvidos nos projetos que estivermos inseridos.

Então fica a dica, não queira construir algo perfeito, mas algo possível de ser construído. E a melhor maneira de errar menos é aprender a escutar as pessoas, domar o ímpeto de pensar que sabe tudo e querer resolver tudo do seu jeito, no seu timing e com perfeição. Calma!

Todos nós podemos ser perfeitamente imperfeitos e a vida fluir do jeitinho que sonhamos.

Não poderia encerrar esse tema sem deixar registrado que hoje, com meus tenros 79 anos, estou novamente preguiçoso, igualzinho como antes de partir para os Estados Unidos pois quem faz tudo para mim é a minha esposa Cidinha. Santa Cidinha!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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