Senta que lá vem história. De volta às estradas e ao blog

Tempo de leitura: 5 minutos

Quando o calendário e as pessoas esperavam ansiosas pela chegada do Natal, eu e mais 5 amigos motociclistas (Sérgio, Mário Zupo, Mário Foschi, Manoel e Vasques) já estávamos às voltas para despachar as nossas motos para Mendoza, na Argentina, só que com muita tranquilidade, pois o serviço seria feito pela equipe da Rubão 55,  um pessoal altamente especializado nesse tipo de prestação de serviço

Eu e o meu amigo Rubão 55

Elas seguiram em um ônibus especialmente preparado para transportar motos e ficaram lá à nossa espera até a segunda semana de janeiro, quando voamos de São Paulo para Santiago e depois desembarcamos em Mendoza para dar início a mais uma série de aventuras por estradas sul-americanas.

As motos sendo transportadas com o maior carinho

Foram cerca de 3.000km de estradas com cenários inesquecíveis, muitas risadas e alguns entreveros, afinal, estávamos em um grupo e nem sempre é possível que todos fiquem felizes com as escolhas feitas, mas isso faz parte do show e, cá entre nós, coloca ainda mais uma dose de adrenalina em qualquer aventura motociclística.

A turma completa

Passamos os dois primeiros dias da viagem em Mendoza, onde não visitamos as tradicionais vinícolas, por motivos óbvios! Não queríamos nos separar de nossas “companheiras de viagem” nem por um minuto.

Dia 15 de janeiro, iniciamos o roteiro planejado e seguimos para Santiago, onde batemos muita perna para rever a cidade, que continua muito aprazível e com ótimos restaurantes. (Aproveitamos para degustar os excelentes vinhos da região!)

Vasques recebendo as boas-vindas do Chile em nome do grupo

Seguindo pelo sul de Santiago, por sugestão do Sérgio, chegamos em Chilán, onde pernoitamos e no dia seguinte fomos para Pucón, uma cidadezinha pequena, cheia de charme, com lagos, vulcão ativo, águas termais e trilhas, que fica localizada a 780km ao sul de Santiago, na província de Cautín.

Pucón foi um colírio para os olhos, não só pelo vulcão Vilarrica que insistia em aparecer ativamente a todo tempo como plano de fundo da paisagem, mas também pelas ruazinhas floridas e charmosas, pelo estilo das construções e pelo tempo que parecia passar de forma mais agradável. Pelo menos para nós.

Vulcão Vilarrica sempre de olho em nós

Antes de partirmos para Bariloche, ainda em Pucón, o grupo se dividiu: Mário Foschi e Manoel queriam seguir o roteiro por trilhas de terra, cercadas de mato e vinícolas eu, Mário Zupo e Vasques optamos por estradas mais seguras, afinal passeio em grupo bom é quando cada um respeita o gosto do outro, sem impor as vontades próprias.

Inspiradíssimos pelas paisagens chilenas, seguimos mais 500km sobre duas rodas até chegarmos em outra cidade cercada pela Cordilheira dos Andes, cheia de glamour, só que localizada em território argentino: San Carlos de Bariloche!

Foram 4 dias em Cerro Catedral, onde mesmo sem neve e sem podermos deixar as motos no hotel (elas tiveram que ficar em um estacionamento no centro da cidade e, todos os dias, nós precisávamos pegar um táxi para iniciarmos nossos passeios!), conhecemos pequenas localidades incríveis, apreciamos vistas cinematográficas e muitas delícias gastronômicas.

O grupo se reencontrou nas alturas do Cerro Catedral

Cada um fez o que quis e eu aproveitei cada minuto dessa primeira viagem aos 80 anos para meditar, organizar mentalmente o ano de 2019 e alinhar as próximas ações a serem implementadas para alcançar as metas desejadas.

Para encerrar esse relato, vale registrar que essa foi a viagem em que levei a minha primeira multa pilotando uma moto na vida e o desfecho da situação foi bem engraçado e inusitado.

Mário Zupo seguia na frente, GPS afinado, eu e Vasques na cola dele. (Os outros dois companheiros de viagem tinham optado por outro caminho, pois queriam fazer fotos e o Sérgio precisou cumprir alguns compromissos profissionais!) Vínhamos bem e quando estávamos quase chegando na entrada de Bariloche, encontramos uma fila grande por causa de um semáforo. Optamos por fazer uma fila dupla e o que aconteceu? Os guardas nos pararam!

Foi só fazer 80 anos e ganhar a primeira multa do ano logo em janeiro

Como é comum neste tipo de situação, eles nos pediram os documentos, nós ficamos apreensivos se iriam recolher as motos, mas nos disseram que teríamos apenas que pagar a multa aplicada. Os policiais eram gente boa, como a maioria dos argentinos, então, claro que acabamos conversando sobre as coisas do Brasil, a expectativa política e futebol, né?

No dia marcado, fomos ao tal posto da polícia rodoviária para acertar a nossa pendência e qual não foi a nossa surpresa!

Eu cheguei dizendo ao policial que tínhamos levado uma multa e queríamos pagar. Ele nos olhou e respondeu:

_ Multa? Mas o que vocês fizeram?

_ Nós passamos na faixa dupla porque queríamos ultrapassar uns carros antigos que estavam na nossa frente e aí nos pararam e aplicaram essa multa.

Ele não quis nem ver a multa e nos disse:

_ Não! Isso daí não tem valor. Nós temos esse procedimento só pra o turista vir falar com a gente. A nossa ideia é sempre tratar os turistas muito bem, porque precisamos do turismo para manter nossas cidades. Na verdade, nós fazemos questão que vocês voltem sempre para o nosso país. Sabe o que vocês podem fazer com esse papel? Coloquem num quadro lá no escritório de vocês e contem essa história para todo mundo.

Nós rimos muito da situação e eu disse:

_ Eu tenho 80 anos e essa foi a primeira multa da minha vida!

Ele riu também e concluiu:

_ O senhor está muito bem! Nem parece que tem 80 anos!

Esses argentinos…

No auge dos 80…
… feliz da vida!

 

6 Comentários


  1. O senhor é uma inspiração pra nós ! Parabéns ! Muito orgulho! Que venham sempre as melhores viagens e muita história pra contar !
    Beijos
    Patrícia

    Responder

    1. Cara Patrícia,
      Muito obrigado pelas suas considerações e eu também espero poder continuar viajando para ter boas histórias para contar. Beijos!

      Responder

  2. Meu parceiro , amigo um ex: a ser seguido , orgulhoso de participar das nossas viagem. Que venham outras abç.

    Responder

  3. Oi, Dante, fui parceiro do Roberto Ramenzoni por muitos anos em Angra. Ele me falou de vc algumas vezes. Parabéns por sua viagem, também sou motociclista e já fiz mais de 400.000 km entre Chile, Argentina, Uruguai, etc. Conheço o Rubão, muito competente e simpático. Por favor passe meu telefone /whatsApp para o Roberto ou me mande o tel dele. Grande abraço, Otavio [Gugu]

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *