Sem tolerância com a intolerância

Tempo de leitura: 2 minutos

O escritor Carlos Drummond de Andrade, marcou a literatura brasileira por expressar as profundas inquietações e problemas que abordavam as condições humanas. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho. Com esse poema (que vc pode ouvir na voz do próprio Drummond clicando no link), pode ser expresso o atual panorama da intolerância que permeia a sociedade brasileira, afetando a harmonia e o convívio social. No meio do caminho há várias pedras, mas uma em especial, chamada ignorância, a meu ver, tem contribuído para que os índices de intolerância venham alcançando níveis insuportáveis.

Em primeiro lugar, é essencial ressaltar que essa circunstância se deve a fatores históricos e culturais desde os tempos do homem de Neanderthal, que não sabia ler ou escrever, mas já andava com uma borduna na mão (uma espécie de cassetete de madeira, com uma bola esculpida na própria madeira usado como arma de ataque, defesa ou caça) e sempre que era atacado por alguém não hesitava em se defender dessa forma, tirando da frente o provável inimigo ou contestador.

Desde então, o homem foi se desenvolvendo, transformando o mundo à sua volta, formaram-se diversas crenças (sociais, políticas, filosóficas) e etnias evidenciando a pluralidade das riquezas culturais e raciais. No entanto, o preconceito, os embates políticos e a ganância pelo poder a qualquer custo têm feito com que casos de intolerância venham a ser, infelizmente, ações muito praticadas e difundidas. Intolerância e agressividade andam a cada dia mais de mãos dadas. Bom exemplo disso é o egocentrismo exacerbado que vivemos, em que as pessoas não conseguem demonstrar empatia, ou seja, não conseguem se colocar no lugar do outro, porque estão constantemente preocupadas em defender e tentar implantar suas ideias, guiadas pelos próprios interesses. Esse fenômeno tem acontecido no mundo real e virtual.

Além disso, vale considerar que essa situação é corroborada, especialmente aqui no Brasil, por questões educacionais, pela falta de ações voltadas para solucionar o problema, pelo não investimento na formação de professores, pelo descaso com a formação de nossos jovens, que sem ter uma educação de qualidade, ficam à margem de uma vida digna, produtiva e aumentam a fila dos intolerantes.

Torna-se evidente, portanto, que a solução apresenta entraves que necessitam ser revertidos. Para isso, cabe ao governo atual e aos próximos, promoverem projetos factíveis, para que as crianças e jovens possam desfrutar de uma educação decente, que cultive o cuidado com a saúde mental, física, espiritual, com a cidadania, com o empreendedorismo e principalmente, com o respeito ao próximo. Com jovens que não tolerem mais a intolerância sem motivo de ser, a fim de buscar um melhor convívio e aceitação com as diversas diferenças existentes em nossa sociedade.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *