Perder não é desdouro

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A expressão que dá título a esse post eu aprendi com um homem de muita fibra, Fabiano Pires, um profissional de extrema competência, que trabalhou comigo por muitos anos e esteve à frente de grandes projetos e conquistas na Papirus.

Apesar do desuso da palavra “desdouro”, que significa desonra, falta de consideração, eu achei legal destacá-la nesse conteúdo para me manter fiel à expressão que ouvi tantas vezes no decorrer da vida e também para ampliar o vocabulário dos mais jovens que acompanham as minhas histórias aqui pelo blog.

Como ganhar e perder tem tudo a ver com jogos, esportivos e também na área dos negócios, fui buscar inspiração em um livro antigo, que sempre soube da existência desde criança, mas que só em 2019 eu consegui um exemplar por intermédio da minha irmã, providenciei a tradução do italiano para o português e uma nova roupagem gráfica para poder ler com uma linguagem mais acessível do que a que estava na língua pátria de seu autor, Lamberto Ramenzoni, italiano de nascimento, meu avô paterno e motivo de grande orgulho na minha vida.

Meu avô, além de empresário bem-sucedido no segmento chapeleiro, foi vice-campeão italiano de bocha e também um artista que pintava seus quadros para depois presentear os amigos, sem medo das críticas que pudesse receber. Tinha coragem para exibir sua arte, compartilhar sua sensibilidade de artista.

Assim que comecei a folhear o livro “O esporte da bocha”, lançado originalmente pela Editora Mediterranee, em Roma, no ano de 1952 e traduzido pela editora SMA2 na atualidade, tive a minha atenção despertada pelo capítulo em que o meu avô explanou, de uma forma até poética, sobre as finalidades esportivas e morais das competições de bocha.

“Se o jogador é inteligente e honesto, mesmo em uma disputa altamente competitiva, aprende que está nele trazer, também para a vida, a lealdade, que é a norma do jogo.

A vitória esportiva justa tira seu melhor impulso da competição, onde sempre podemos aprimorar a técnica observando os jogadores mais experientes e aperfeiçoados, mas, acima de tudo, uma competição sempre traz como consequência um maior apego ao jogo, um desejo cada vez mais decisivo de se refinar.”

Esse desejo de se refinar tem a ver com a lógica de que se insistirmos em melhorar o nosso desempenho, seja em alguma modalidade esportiva ou no exercício de viver a vida com seus altos e baixos, um dia sempre poderemos virar o jogo e ganhar. (Quando não ganhamos é porque precisamos aprimorar algo!)

Em outro trecho, meu avô assinala que “perder algumas vezes nos fortalece, tornando-nos mais fortes, resilientes e até mesmo persistentes em nossos objetivos.”

É bem por aí!

Não deu certo agora? Outra vez, mais uma e, se for preciso mais algumas outras vezes você pode, de novo, tentar. Para amadurecer, crescer e vencer é preciso se dedicar, seguir as regras, respeitar o adversário, manter a calma diante dos momentos de tensão, observar quem é melhor que você, se refinar.

Perder faz parte de todo e qualquer aprimoramento de aprendizado e não é desdouro.

Portanto, ganhar é não esquecer que ora perdendo, ora empatando ou ganhando, sempre estaremos evoluindo, nos fortalecendo e recebendo os aplausos, se não pela vitória no placar, pela educação, simplicidade, simpatia emanada e pela coragem de competir com ética.

Lute, corra atrás, persista, treine, se fortaleça, porque só assim chegará o dia da sua vitória no jogo da vida.

 

 

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