Investimento em momento de crise, sim ou não?

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Que a crise econômica e a pandemia estão aí e as empresas precisam continuar seus planos de trabalho, isto é fato.

Mas o grande xis da questão é como manter cabeça fria para tomar as decisões mais apropriadas e manter a roda girando, sem fugir do eixo.

Esse é o desafio do nosso tema de hoje e também é o desafio das lideranças governamentais e empresariais do país.

Na primeira semana de abril, após concluirmos uma reunião do conselho da minha empresa, minha esposa Cidinha me encaminhou uma entrevista publicada nas páginas amarelas da Revista Veja, dizendo que o conteúdo seria do meu interesse.

O entrevistado é uma pessoa fora de série, um homem que considero muito inteligente, preparado, trabalhador e se chama Rubens Ometto. Ele é acionista das empresas Raízen, Comgás, Cosan e Rumo, que atuam no ramo de combustíveis, açúcar e logística e, juntas, faturam 80,1 bilhões de reais ao ano.

A família dele veio da Itália mais ou menos na mesma época que os meus avós. Em 1952, quando meu pai e meu tio fundaram a Papirus em Cordeirópolis, a família Ometto tinha uma usina de açúcar nas proximidades e quando meu pai ia para a fábrica, sempre os visitava e eu muitas vezes o acompanhava nessas visitas. (Na verdade eu conheci essa família desde os meus tempos de calça curta, como se dizia antigamente.)

A uma certa altura da entrevista do Rubens Ometto concedida à Revista Veja, o jornalista Machado da Costa lançou duas perguntas muito boas: qual seria o papel dos empresários neste momento e como estará o Brasil ao término desta crise, e acredito que Cidinha me trouxe a entrevista exatamente em função destas duas respostas, pois eu penso de forma muito similar.

Reproduzo abaixo as respostas na íntegra para depois retomarmos ao meu raciocínio.

Voltando à reunião do conselho da minha empresa que aconteceu há algumas semanas, nós estávamos revendo o programa anual de investimentos, repassando toda as programações para analisar se deveriam ser mantidas e a uma certa altura, o questionamento girou exatamente em torno da questão se deveríamos reavaliar alguns investimentos devido à pandemia ou não e eu então respondi:

_ Não! Não vamos, não, porque eu conheço o Brasil e o meu sistema sempre foi esse: investir nas crises para sair reforçado delas. Meu pai pensava assim, meu tio também e eu sigo a cartilha deles. A gente não pode parar toda hora que tiver um problema, porque se assim fizermos, não sairemos do lugar.

_ Mas e se o mercado se retrair consideravelmente e nós ficarmos sem caixa?

_ Isso nós não podemos prever neste momento e teremos que avaliar apenas quando acontecer e se acontecer. Só quando a previsão virar certeza é que conseguiremos de fato avaliar eventuais acréscimos ou decréscimos nos investimentos, mas interromper investimentos está completamente fora de cogitação.

E assim está sendo feito!

E quando tudo for se normalizando, o líder empresarial que não tiver feito os investimentos necessários para manter o seu negócio ativo, vai ficar para trás, pois outros empreendedores de maior visão terão tomado o seu lugar.

Portanto, nada de parar os investimentos!

Precisamos preparar a empresa nos momentos de crise; porque quando a crise passar, teremos melhores chances de nos destacarmos no nosso mercado de atuação. Só que para isso acontecer precisamos ter coragem de agir nos momentos de crise e, acima de tudo, acreditar no potencial da equipe que está na dianteira do negócio.

E eu acredito muito na minha equipe!

Respeito a quarentena, sim! (Até porque a dona Cidinha está no comando e não me deixa dar nenhuma escapulida na minha moto!) Mas acompanhando tudo o que está acontecendo no Brasil e na minha empresa, porque nenhum dos dois pode parar.

Outro detalhe importante que precisa ser levado em conta neste momento difícil é saber ouvir! Ouvir o que a equipe de trabalho está precisando e como poderão ser implementadas as soluções para superar as dificuldades ou impulsionar novas ideias.

Isso é o que vai fazer toda a diferença!

Ter cabeças pensantes, líderes capacitados, equilibrados porque com calma e uma boa dose de paciência sempre dá para encontrar opções de novos caminhos para serem trilhados, sempre dá para se reinventar e a minha equipe está se desdobrando para conseguir superar esse momento difícil que o mundo todo está passando, com muita humanidade, dignidade e criatividade. (E sem parar um dia de trabalhar, com cuidados redobrados!)

E para concluir essa prosa, segue mais uma dica que tem a ver com o último post publicado, na qual expus minhas ideias sobre o exercício da paciência e gostaria de complementar o assunto com um pensamento que também se relaciona com o tema de hoje.

“Eu pratiquei o exercício da paciência a vida inteira, mas têm muitas pessoas que estão começando a prática agora, então para essas pessoas eu tenho a dizer o seguinte: paciência não se aprende!

É minha gente, precisa querer ter paciência e para ter êxito nessa empreitada precisa dizer a si mesmo: “Mesmo que seja uma caminhada difícil, eu vou seguir sempre em frente… porque gosto de mim e gosto das pessoas que me cercam e sempre posso aprender alguma coisa com elas, mas para isso preciso dialogar com essas pessoas e como não pensam do mesmo jeito que eu, não têm as mesmas ideias que eu tenho, preciso ter paciência.

E assim, ano a ano, vamos nos aperfeiçoando.”

Até a próxima!

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