Comprar sem negociar não tem graça

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Eu não gosto de comprar pela Internet!

Por que, não?

Porque virtualmente, pela internet, a gente não compra e sim encomenda.

Comprar, na minha concepção, envolve negociar e pela internet não existe negociação.

Outra coisa que não gosto é que não posso pegar na mão, escolher o que melhor me apetecer, coisa mais sem graça! Roupas, calçados, perfumaria, equipamentos de telefonia, som, que é a grande parcela de vendas realizadas pelo mundo, esse tipo de aquisição a gente tem que olhar, palpitar, dizer para o vendedor que tem um defeitinho para ver se consegue um desconto no preço final. Isso faz parte do ser humano. Sem contar que eu acho divertido sair de casa para fazer uma compra, bater uma perna no shopping, depois almoçar ou fazer uma happy hour

E quando chega a hora de trocar os óculos? Sem trocadilho, eu não consigo enxergar a possibilidade de comprar óculos sem saber se vai combinar com o meu rosto, se a armação é de boa qualidade, se é leve ou pesada.

Comida, por exemplo, você não pechincha, mas você quer ver, porque nós também comemos com os olhos.

Mas na Internet os preços costumam ser mais em conta, Dante!” Muitos de vocês me diriam isso e eu já respondo antecipado: “eu sei!”

Assim como sei também que mais de 60 milhões de brasileiros já realizaram compras pela internet em algum momento porque é muito mais fácil: não precisa sair de casa, encarar filas ou trânsito para comprar o que precisa, é conveniente! Mas também precisamos lembrar que um negócio que não precisa contar com uma estrutura física tão grande para realizar as vendas, consegue oferecer condições diferenciadas bem abaixo dos negócios que estão nas ruas ou shopping centers.

Todas essas observações fazem sentido, eu também pesquiso os preços online para depois finalizar as compras em lojas físicas ou pedir a minha secretária para finalizar a compra online, mas em nenhuma dessas duas opções eu posso fazer uma das coisas que mais gosto, NEGOCIAR.

Eu ficaria muito triste se forem confirmadas as previsões de que todas as compras em pouco tempo serão realizadas em ambiente online. Imagina eu ter que comprar um carro ou uma motocicleta pela internet… Deus me livre de ter que passar por isso!

Claro que no caso de compras vultosas, como equipamentos fabris por exemplo, de milhões de reais, podemos até conhecer os envolvidos no negócio pessoalmente, avaliar as pessoas, as especificações técnicas e depois cumprir as etapas de negociação através de reuniões virtuais, já fiz isso várias vezes e deu muito certo.

Mas no âmbito das compras pessoais prefiro mesmo é comprar ao vivo, em cores e negociando. Exceção feita quando viajo e esqueço de levar alguma roupa, remédio ou acessório e aí compro online e peço para me entregarem aonde eu estiver, ou quando viajo para os Estados Unidos e gosto de chegar lá e receber os produtos comprados no hotel em que esteja hospedado.

Em todos os outros casos, negociar para mim é uma arte que vamos nos aprimorando com a prática e espero continuar fazendo isto pelo resto da minha vida. Me dá prazer, me divirto e me desafia.

Cada negociação é diferente e isto é que me motiva. Não tem um dia igual ao outro, porque as pessoas não são iguais e reagem de múltiplas formas a uma estratégia apresentada. Meio que se compara a exercitar um músculo, todos os dias tem que praticar para deixá-lo forte e saudável e conseguir se manter em forma.

Eu gosto tanto da adrenalina de negociar, que a primeira negociação da minha vida aconteceu por volta dos meus 10 anos. Eu tinha uma moto Guzzi, pequena, “cinquentinha”, ano 1950 e passei numa loja de um amigo de meu pai e me encantei por uma scooter Lambreta MV Agusta, 125 cilindradas, uma moto um pouco maior do que a minha.

Na época, eu já guardava a semanada que recebia no meu cofrinho, só que estava longe de ter a quantia necessária para comprar a moto que queria.

O que eu fiz?

Negociei com o dono da loja a venda da minha moto, juntei o dinheiro que estava guardando e como ainda faltava uma boa parte, apelei para a minha mãe, pois sabia que ela administrava as nossas poupanças no banco. Propus que ela complementasse o que estava faltando, retirando uma parte do dinheiro da minha conta. Ela topou, registrou a moto no nome dela, eu troquei de moto e ela foi a primeira pessoa a dar uma volta na minha garupa.

 

 

 

 

 

 

 

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