A vida vai mudar depois da pandemia?

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Nos últimos três meses, tenho ouvido tanto essa pergunta e costumo responder com outra indagação: será que vai mudar tanta coisa assim?

O ser humano é o mesmo e vai continuar com as mesmas necessidades, por isso interpreto que este tal de novo normal tão falado no momento, vai ficar como o antigo normal, porque não se muda a cabeça do ser humano em um estalar de dedos ou num clique de computador.

Aliás, é a mesma coisa que dizer que a pessoa que não tem um computador vai morrer de fome… Como assim? Por que vai morrer de fome? Vai parar de pensar?

Professores, filósofos, sociólogos, médicos, atores todos estão dizendo que depois da pandemia a vida vai mudar. Forte afirmar isso, por que a vida contém muitos elementos, ciclos e acontecimentos inusitados, então óbvio que seria impossível que continuasse sempre igual.

Mas a essência do ser humano vai continuar a mesma. A busca da felicidade, a vontade de vencer na profissão escolhida para marcar presença no mundo vão continuar fazendo parte dos nossos propósitos, só que nós vamos precisar de algumas mudanças estruturais, principalmente na gestão do nosso país.

A grande maioria dos políticos precisarão de treinamento intensivo para aprender a subir degrau por degrau, para não chegar exaurido no alto da escada e também para minimizar as possibilidades de cair e tomar um grande tombo ou ter que dar a mão para aliados nem sempre confiáveis. Precisarão também de uma boa dose de humanidade, porque mesmo em meio a uma pandemia, continuam defendendo apenas os próprios interesses e continuam se envolvendo até o pescoço com a tal da corrupção.

Pois bem, a pandemia está mostrando claramente que os políticos no Brasil não estão preparados para as funções que exercem. Na minha opinião, deveria existir uma lei instituída em nosso país que exigisse que, para qualquer cidadão brasileiro poder exercer um mandato político, em todos os níveis de atuação, deveriam ter uma formação sólida, nível superior para cima, porque o estudo é muito importante, principalmente para se fazer a gestão de alguma coisa e saber se posicionar, planejar, montar uma equipe competente, com profissionais preparados. Essa sim, poderia ser uma das principais mudanças pós-pandemia. Profissionalizar a classe política.

Outra coisa que me preocupa bastante é o que vai acontecer com as escolas, porque tenho a sensação de que o que já era ruim, está conseguindo ficar péssimo e colocando ainda mais em evidência a nossa desigualdade social. Entendo que já passou da hora de se promover uma mudança radical na gestão das políticas educacionais.

Teremos anos difíceis pela frente, onde precisaremos trabalhar dobrado para conseguirmos equilibrar prioridades sociais e econômicas; pessoas bem preparadas emocionalmente e academicamente serão vitais para o país conseguir retornar ao eixo e evoluir.

Então, diante de tudo isso, não dá para saber quais mudanças se firmarão de fato porque são tantas as variáveis em jogo que qualquer previsão poderá ser equivocada.

Mas, sinceramente, existem alguns novos hábitos que adquirimos com a pandemia que bem que poderiam continuar quando ela acabar, por exemplo:  a higiene com as compras, o cuidado em manter as mãos sempre limpas, o álcool em gel em todos os lugares públicos, o corte nas viagens de avião desnecessárias ou nas reuniões de trabalho inúteis, a solidariedade e empatia das pessoas com os mais velhos e também com os menos favorecidos, o respeito aos profissionais de saúde, e, principalmente a união familiar.

Tomara que tudo isso tenha vindo para ficar.

Em tempo: às vezes sinto uma saudade tão grande dos meus tempos de criança!  A vida era bem mais divertida, mais tranquila, leve, descontraída.

Eu abria o portão da minha casa e ia brincar na rua!

Eu disse R-U-A! Brincava por horas a  fio com os amigos e sempre jogávamos bola livres, leves e soltos.

Hoje isso não é mais possível… por causa da segurança, do movimento de carros e também por que a maioria das pessoas mora em apartamento. Mas naquela época, a rua para mim e para os meus amigos era como se fosse um grande campo de futebol e nós respeitávamos muitíssimo os policiais civis e militares pois eles eram a nossa segurança! (E continuam sendo!)

Vejam só como a vida é cíclica, vai mudando e quase que sem sentir, somos envolvidos pelas mudanças e precisamos aceitá-las.

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